Todas as tardes são inúteis
Incluindo aquela em que eu nunca te amei
Há um tempo de delírio dentro de todas as horas
Quando, então, eu me deito e canto
A cantiga do sol.
E o céu, azul de tanto me ver te amar sozinho
Foi contar à lua ainda prenhe da noite
Que eu não te amava,
Mas eu neguei tudo.
Como eu vou te amar, Maria?
Se já amei, e assim sou desamor para todo o resto do mundo,
Ou nunca amei, e então sou Judas Iscariotes,
E amei demais, e assim sou eu mesmo,
Como te amar, se sou só um homem?
Não me engano: És mulher e universo
E chamas-me ao que sou de homem
Ao elevar-me à minha própria pequenez.
Mas estou avisado: Aquela tarde, que é passado,
Tarde de delírio, onde todos os sonhos são inúteis,
Em que o meu pensamento se perdia em calores do ocaso,
Inóspitos, cearenses e voláteis,
Aquela, exatamente aquela tarde,
Eu nunca te amei.
Nem jamais te amarei aquela tarde.
Joeldo Holanda ©